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O que é um documentário?

sábado, fevereiro 07, 2009

O Leitor é o retrato da vaidade humana


Por sorte não li a sinopse que apresentava o filme O Leitor. Fui para ver a Kate Winslet, que é muito melhor e mais promissora que a jovem do trágico Titanic, no duplo sentido em que isto expressa.

Logo de início, se o espectador não for tomado por uma vertigem, vai perceber que algo de sutil relaciona O Leitor com Central do Brasil. Isso mesmo. Parece impossível, mas acontece. A primeira parte do filme é o doce lado humano com suas intempestividades.

Mas o filme vira, e revira-se abrindo outra perspectiva com o que de fato é o tribunal da vida, das paixões, dos não perdões que a nossa vaidade não nos permite. E as crueldades do mundo se sucedem. As paixões sentidas e reveladas por pessoas que não conhecemos. Que não queremos conhecer. Mas há também o fato de que ao conhecê-las revela-se o porquê se deixaram ou até facilitaram nossa aproximação. Essa dor deste sentimento não correspondido é imensa. Para não ir até profundamente o perdão da própria alma escolhe-se não perdoar em nome da alma do outro. Mas o que se quer pacificar é apenas um coração angustiado pela desolação do desperdício de sentimento. Nisso os dois personagens dividem por motivos distintos, cada qual é vaidoso e vai até as últimas consequências em suas misérias.
Gislene Bosnich

domingo, dezembro 28, 2008

Um bom homem é a história do 'oportunista inocente'

Acabo de assistir ao filme Um bom homem, ou em inglês apenas: Good.
O filme é ambientado na Alemanha nazista com episódios que antecedem a II Guerra Mundial, mas que chegam até 1942 quando a caça a: judeus, comunistas, gays, negros, pessoas com deficiência física e/ou mental já é conhecida do mundo.
Neste período que antecede o genocídio, um professor de literatura é cooptado rapidamente pelo serviço de inteligência, a mando de Goebbels, o Ministro da Propaganda de Hitler. O motivo: um livro ficcional cujo personagem central defende a eutanásia como forma de eliminar a dor da esposa querida. Mas o filme não se perde neste debate. Trata-se apenas do mote inicial. O cerne é mostrar como uma criatura aparentemente despolitizada é aproveitada pela política nazista e como a cooptação pôde/pode ser promovida sem o completo convencimento ou aceitação da realidade: a política de extermínio dos "não-filhos da raça ariana". O personagem é aparentemente um inocente surpreendido pela incompreensão quanto à abordagem literária de sua obra. Mas pouco a pouco vai sendo tragado pelas benesses e vai se comprometendo até um pouco além da alma com a política hitleriana.
É um enfoque inteligente. Direção de um brasileiro: Vicente Amorim.