Clique Porta-curtas Petrobrás - Nestes links, o internauta tem acesso a filmes de curta-metragens - até 30 minutos - que tem relevância para o debate em sala e também extrassala de aula. Já na coluna à direita abaixo há uma seleção de vídeos que estão disponíveis no Youtube e também oferecem conteúdo compatível com o programa de História e de Sociologia, bem como, outras áreas afins.

O que é um documentário?

sábado, abril 18, 2009

Fumando espero revela cineasta Michael Moore à brasileira


Um documentário ótimo... com humor... com ritmo bom... com tiradas excelentes cuja cineasta Adriana Dutra (bastante talentosa) é também protagonista em sua labuta na tentativa de parar de fumar. Em poucas palavras isso é Fumando Espero inspirada em música cantada em castelhano para dar o clima sensual ao assassino silencioso que se instala nas boas almas do mundo. Eu fui uma dessas almas.

Ótima película para quem foi, é ou será fumante, ainda que passivo. Um dos melhores documentários ao qual assiste nos últimos anos porque subverte a temática do tabaco numa abordagem superior e classista. Muito interessante.

Esqueça as boçais sinopses que são mesmo uma porcaria.

Vá ver e se divirta na hora e sob medidas certas da indignação que lhe tomará a alma no final. Estamos de volta à depedência dos armazéns pelos colonos entre o final do século XIX e o início do século XX.

Como ex-fumante há quase três anos, posso escrever que a empatia em cada cena se faz presente pela completa verossimilhança. A alma do fumante é igual a do apaixonado. Conheça uma e conhecerá todas.
Se alguém tiver disposição poderá assistir ao filme Obrigado por fumar. Não se trata de comparação, mas rende um bom debate.

Gislene Bosnich

sábado, fevereiro 07, 2009

O Leitor é o retrato da vaidade humana


Por sorte não li a sinopse que apresentava o filme O Leitor. Fui para ver a Kate Winslet, que é muito melhor e mais promissora que a jovem do trágico Titanic, no duplo sentido em que isto expressa.

Logo de início, se o espectador não for tomado por uma vertigem, vai perceber que algo de sutil relaciona O Leitor com Central do Brasil. Isso mesmo. Parece impossível, mas acontece. A primeira parte do filme é o doce lado humano com suas intempestividades.

Mas o filme vira, e revira-se abrindo outra perspectiva com o que de fato é o tribunal da vida, das paixões, dos não perdões que a nossa vaidade não nos permite. E as crueldades do mundo se sucedem. As paixões sentidas e reveladas por pessoas que não conhecemos. Que não queremos conhecer. Mas há também o fato de que ao conhecê-las revela-se o porquê se deixaram ou até facilitaram nossa aproximação. Essa dor deste sentimento não correspondido é imensa. Para não ir até profundamente o perdão da própria alma escolhe-se não perdoar em nome da alma do outro. Mas o que se quer pacificar é apenas um coração angustiado pela desolação do desperdício de sentimento. Nisso os dois personagens dividem por motivos distintos, cada qual é vaidoso e vai até as últimas consequências em suas misérias.
Gislene Bosnich

domingo, dezembro 28, 2008

Um bom homem é a história do 'oportunista inocente'

Acabo de assistir ao filme Um bom homem, ou em inglês apenas: Good.
O filme é ambientado na Alemanha nazista com episódios que antecedem a II Guerra Mundial, mas que chegam até 1942 quando a caça a: judeus, comunistas, gays, negros, pessoas com deficiência física e/ou mental já é conhecida do mundo.
Neste período que antecede o genocídio, um professor de literatura é cooptado rapidamente pelo serviço de inteligência, a mando de Goebbels, o Ministro da Propaganda de Hitler. O motivo: um livro ficcional cujo personagem central defende a eutanásia como forma de eliminar a dor da esposa querida. Mas o filme não se perde neste debate. Trata-se apenas do mote inicial. O cerne é mostrar como uma criatura aparentemente despolitizada é aproveitada pela política nazista e como a cooptação pôde/pode ser promovida sem o completo convencimento ou aceitação da realidade: a política de extermínio dos "não-filhos da raça ariana". O personagem é aparentemente um inocente surpreendido pela incompreensão quanto à abordagem literária de sua obra. Mas pouco a pouco vai sendo tragado pelas benesses e vai se comprometendo até um pouco além da alma com a política hitleriana.
É um enfoque inteligente. Direção de um brasileiro: Vicente Amorim.

quinta-feira, julho 17, 2008

Do outro lado é poesia trágica

À margem do Paraíso só restam lembranças ternas...


Um filme com um enredo comum. Um homem que procura uma prostituta, e que lhe faz uma proposta: morar com ele em troca de uma pensão, três mil euros. Uma prostituição para um único homem.... Uma ex-prostituta que morre. O filho do homem que se casou com a ex-prostituta não perdoa o pai. E vai atrás da história da mãe que apenas queria que sua filha estudasse. Pitoresco só até aí. Na verdade, não há nada de mais belo que mostrar os descaminhos da vida... as peripécias do improvável. Os nossos tortuosos dilemas e as perdas irreparáveis de verdade. Do outro lado... pode ser compreendido como Do outro lado de nossas almas. Quando o arrependimento e a insegurança vêm à tona. Quando a provável covardia da velhice se encontra com a saudável ousadia da juventude.

quinta-feira, junho 19, 2008

Antes que o diabo saiba que você está vivo

Tudo que você esperava assistir em Onde os fracos não tem vez está explícito em Antes que o diabo sabia que você está vivo. Sim, a película é uma crítica da deterioriação da família estadunidense

sábado, fevereiro 23, 2008

Todos contra Zucker

Uma ótima comédia alemã, um pouco previsível, mas nada que afete a ida ao cinema. Vale a pena. Sensível história familiar de pessoas que se amam embora vivam distantes.

Desejo e Reparação é antítese do sacal e fora de propósito Onde os fracos não têm vez

Desejo e reparação é um destes filmes de alguém que pensa constantemente no vaivém da vida, desde suas mais remotas memórias até o momento em que algo acontece e desloca nossos planos para o limbo do inconsciente.
Já nem me interessa se este filme vai ganhar o OSCAR, interessa que este ó filme para quem gosta das lembranças, para quem sabe o quanto elas pesam. Para quem sabe que nos menores atos e atitudes pode residir a essência da vida das pessoas. Desejo e Reparação nasce nostálgico, sem ser piegas. Todos temos histórias como aquela.
Já o desgosto do cinema deve estar na figura destes dois irmãos idolatrados... Que tragédia. Ou será jabá da distribuidora?
Um psicopata em busca do dinheiro. Um retrato dos Estados Unidos e de seu povo paranóico. Ou será jabá da distribuidora? Um talento tão incompreensível que só o tempo altera? A forma burra do cinema estadunidense se aproximar do europeu? Ou será jabá da distribuidora?
O filme é de uma estupidez atroz.

4 meses, 3 semanas e 2 dias é um presente para os cristãos

Filme é um engodo inverossímil que serve bem ao propósito da Igreja Crista (católica e protestante) em fazer sua campanha mundial contra o aborto. O filme é no mínimo, sendo muito compreensiva, uma pérola do quilate de Tropa de Elite com sua proposta para lá de oportunista e ambúgua de mostrar a cara da polícia. Só classe média não conhece a cara da polícia. E só algo que está muito longe do aborto clandestino para fazer um filme como este. Vejamos. Não se trata aqui de atuação ruim. De forma alguma, mas de fatos sem base real. Ninguém faz um aborto como este da forma como foi feito e sai da situação como alguém que apenas se sentiu mal por ter comido algo estragado.
Este é mais um dos enganos que ninguém percebe. Ele é sutilmente reacionário, como: Obrigado por fumar, com sua moralzinha delirante e relativista.
Em suma: um abuso da confiança da platéia.

O Signo da cidade

Está escrito que um bom argumento pode render ótimos filmes, mas o que acaba por garantir o êxito é mesmo a interpretação. Assim com um poema mal declamado perde seu encanto, um argumento mal explorado, mal dirigido: fica à deriva. Assim é O Signo da cidade.
A cidade de São Paulo é o personagem que engole, mas dá alento. O problema é que a cidade só tem vida se as pessoas que estão abrigadas em seu interior também tiverem. E nisso o filme se perde. Os personagens, não todos é verdade, parecem querem ganhar vida, mas não conseguem... naufragam na má direção.

A garota que acaba de passar por um aborto é tão convincente quanto alguém que acaba de sair de uma rave. É muito falsa sua atuação. É vergonhosa, mesmo para quem não é ator. Aliás, era tão falsa que cruzei com a atriz hoje pelo centro de São Paulo e ela estava com a mesma cara de quando tinha acabado de fazer o aborto no filme. Uma penas... tantas atrizes ótimas.

O cafajeste é vivido por um ator tão ruim que deveria mesmo é ter ficado fazendo ponta nos programas de telecurso 2000.

Mas há momentos verossímeis...

Demorei a escrever para não ser demolidora, mas vejo que a opinião não foi impressionista.

domingo, janeiro 06, 2008

Cinema (francês) fácil e bom, e cinema brasileiro bem feito



Na linha, vamos ao cinema para encontrar respiro para a alma, Conversas com meu jardineiro vem bem a calhar. Um filme bom e fácil. Profundo, simples e que dispensa o fástio que tem dado linha a alguns filmes franceses. Alguns, não todos, muito embora haja excesso naqueles que enveredam por tal caminho.

Outra opção para entretenimento é Meu nome não é Johnny com Selton Mello, sempre ótimo, interpretando um personagem real que conseguiu se safar de penas cruéis aplicadas aos traficantes.
Não há nenhuma relação com o filme de José Padilha, ainda bem, e a direção tem clareza que o fato de ser branco de classe média fez a diferença no destino real do protagonista. Não há moralismo, mas a idéia do bom garoto que não agiu com truculência pode parecer uma opção, que sabe-se não existe. É o famoso pacote. Tem de comprar tudo, sem flexibilizar. É certo que o tráfico mudou em uma década e meia, mas andar desarmado deve ter sido para bem poucos.
Selton Mello é genial, mas sua atuação em O Cheiro do ralo ainda é antológica.
Gislene Bosnich

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Vastas emoções e compromissos partidos





















A Vida dos Outros, As Sombras de Goya, A Culpa é do Fidel são três filmes que perpassam a mesma temática. De certa forma, também poderíamos incluir A Casa de Alice, este último como enredo mais restrito a uma família, mas que acaba exalando também a hipocrisia de todos nós.



Império dos sonhos de David Linch é um filme onírico, mas com efeito muitíssimo menor que Cidade dos sonhos.

sábado, novembro 03, 2007

Pátio do Colégio surpreende pelo descaso


É uma frase, descrevendo uma cena igual em distintos lugares históricos do país. Tudo mal feito... sem compromisso. Pessoas com muita má vontade, pouco sabem sobre coisa alguma. À exceção: o valor do ingresso. Raras exceções. Este é o clichê de descaso. Não se sabe se o problema é expressão das colônias ou se é algo particular do país. Tudo devidamente não identificado. Experimente perguntar algo a algum 'monitor (a)' e logo aquela cara de: "Por que você acha que eu sei?". É um desestímulo atrás de outro. Tudo faz com que você queira não retornar. Mas a lojinha para vender lembrancinhas está lá. E a cripta? Pois é... a cripta traz alguns artefatos indígenas. Que até então parecem ocultos. Afinal, antes de São Paulo já havia vida. Pasme, a maior parte são doações dos indigenistas Villas-Boas de povos do Xingu. É o legítimo: coisa para inglês ver.


Soda cáustica, culeiformes fecais: A Barbárie instalada ou O recall dos seres humanos

Há pouco tempo escrevi sobre o filme Nação Fast food como um trabalho que apresentava mais a denúncia do 'aproveitamento' imoral da mão-de-obra barata dos mexicanos que atravessavam a fronteira que propriamente a produção, para lá de imprópria, de alimentos que ingerimos na maior confiança. Não que Nação Fast food não faça isso, mas The Corporation é bem melhor sucedido nesta tarefa, talvez mesmo por ser um documentário. Depois da semana no leite com soda cáustica. O que mais podemos esperar? Não arrisquem... tudo pode ocorrer no mundo da barbárie. (Talvez haja um momento em que pessoas, moradores de rua, sejam transformadas em comida enlatada.)
O caso é que hoje, 3 de novembro o Estadão on line publicou a seguinte notícia:

sábado, 3 de novembro de 2007, 14:40 Online
http://www.estadao.com.br/economia/not_eco74924,0.htm


Cargill faz recall de quase 500 mil kg de hambúrgueres nos EUA
REUTERS

CHICAGO - A gigante do setor agrícola Cargill informou neste sábado que está fazendo o recall de quase 500 mil quilos de carne do tipo de hambúrguer distribuídos nos Estados Unidos devido a uma possível contaminação por coliformes fecais. A Cargill Meat Solutions afirmou que uma amostra dos 491,7 mil quilos de carne de hambúrgueres distribuídos entre 8 e 11 de outubro deu resultado positivo para a bactéria E. Coli em teste realizado pelo Departamento de Agricultura do país. Os sintomas associados à contaminação com a bactéria incluem fortes dores de barriga, diarréia e desidratação. Crianças, idosos e pessoas com baixa resistência são as mais vulneráveis. "Nenhuma doença foi associada com o produto", disse John Keating, presidente da Cargill Regional Beef, em comunicado. "Estamos trabalhando junto com o Departamento de Agricultura para remover o produto do mercado." O recall foi o segundo da companhia em um mês. Em 7 de outubro, a Cargill anunciou o recolhimento de quase 400 mil quilos de carne congelada processada em Winsconsin.

Um fez o que outro deixou anunciado


Mariana Rondón acerta em cheio com elenco sublime


Mariana Rondón concretizou o que Cao Hamburguer sonhou.

Postales de Leningrado é um bem sucedido filme sobre a imaginação de uma criança contando as adversidades por que passam seus parentes próximos (tios, pais, mães e avós) quando se enfrentam com uma ditadura, buscando uma saída revolucionária.

Postales de Leningrado é uma produção venezuelana com grandes atuações e uma ótima forma de contar história com o ingrediente infantil mágico que perdemos tão cedo e que nos custa caro, senão improvável, recuperar através da arte. É um espetáculo.

Um dia para os imigrantes


Compartilhar do mundo em que viveram as pessoas que dão nome e sobrenome a boa parte dos brasileiros é uma alegria quando se descobre um pouco dos hábitos, costumes, da angústia e da alegria de chegarem aqui no Brasil.
Fui conhecer hoje o Memorial do Imigrante. Não achei meus avôs com seus sobrenomes croatas, mas encontrei o lado mais humano de todos nós, independentemente do continente que partam.
Um lugar, hoje, pelo menos, lindo, aconchegante, com pássaros que não se espantam com a presença humana. Com figueiras colossais. No meio do trem, do metrô e das grandes avenidas.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Banguelos, analfabetos com bilhões lavados em estádios de futebol

A farsa da escolha alegre os miseráveis

Jesus não tem dentes no país dos banguelas. Jesus não tem dentes no país dos banguelas. A burguesia fede... enquanto houver burguesia não vai haver poesia. Polícia pára quem precisa... Não não vamos pagar nada é tudo free... tá na hora... é tudo free... vamô embora.


Bilhões lavados em estádios... e o povo comendo farelo sem precisar de dentes... e o povo vendo imagem sem precisa ler letras, mas também sem saber ler ícones.

Quando o acaso gera um boa surpresa

DRUM... Com este nome em inglês (Tambor, numa tradução para lá de livre) o filme da África do Sul consegue fazer o que todos os programados não conseguiram: impactar pela história real bem contada, bem filmada - com uma escuridão própria de quem quer metaforizar, se é que é preciso, o ambiente deteriorado que a Humanidade produziu e que ainda resiste de maneira menos intensa, mas tão brutal - e bem interpretada.
DRUM é uma revista dirigida por brancos em que homens negros talentosos escrevem matérias de entretenimento. Até que a esposa de um dos jornalistas resolve cutucar: - Esta não é a África do Sul que se vê pela janela. É o estopim da virada... da descoberta da verdadeira matéria jornalística, que também está perdida em algum verbete das enciclopédias. Das denúncias de escravidão, de maus tratos prisionais, de prisão sem razão, da desapropriação e expulsão de negros para a periferia. O filme mostra mais: a lei de imoralidade: quando negros namoram brancos. tudo é tão escandoloso e tão próximo. Sempre se pensa em barbárie para algo volumoso do ponto de vista de vítimas e de brutalidade, mas a barbárie está disseminada, próxima e ganhando volume. O filme retrata uma situação pré-prisão de Mandela.

Outra boa história que vi por incidente de uma sinopse (a da Folha, que fique bem claro) para lá de mal feita foi o filme romeno O resto é silêncio. Um filme contando a história da produção de um filme. O recurso metalingüístico é antigo, mas o contar está bem feito. O filme é bom e mostra que desde o início, além das dificuldade que David Linch critica ainda hoje com maestria em seu rico jogo metafórico em Cidade dos Sonhos, o cinema nasce em meio a tantas ciladas e tantos falsos mecenas.

O título do filme é uma referência a Hamlet e Willian Shakespeare. A última cena.


HAMLET: Morro, Horácio. O veneno me domina já quase todo o espírito. Não posso viver para saber o que nos chega da Inglaterra. Contudo, profetizo que há de ser escolhido Fortimbras. Meu voto moribundo é também dele. Dize-lhe isso e lhe conta mais ou menos quanto ora aconteceu... O resto é silêncio.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Um quê de tristeza

Pode ser impressão de gente que desconhece cinema, pode ser coincidência na pequena seleção de filmes, pode ser um sinal. Afinal, a arte sempre nos ofereceu sinais do mundo que ela antecipa ou pelo qual ainda está contaminada. Se fosse possível escolher, prefiro o diagnóstico da contaminação e não o da profecia. Os poucos filmes da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo aos quais assisti são melancólicos, tristes. Como disse, são poucos. Três croatas e um austríaco. Todos com suas feridas, às vezes sublimadas, mas sempre lá.
A guerra civil que corroeu a ex-Iugoslávia dirigida pela fascista Sérvia e que transformou completamente a fisionomia do lugar após a separação de Croácia, Bósnia-Herzegovna, Eslovênia, Macedônia, e, finalmente, Montenegro e Sérvia, está lá subentendida, nas entrelinhas; numa frase, pequena, sentida, remoída.
Já não se trata de Terra de Ninguém, mas da angústia que ficou. Do stalinismo que precisava cair e do confronto estúpido entre os trabalhadores. No final de tudo, bósnios são os oprimidos preferenciais, e até mesmo nos filmes são tidos como estúpidos e ignorantes. Mas não é a leveza denunciante de Caminhão Cinza pintado de vermelho.

São os casos de Treseta, Encarando o Dia e Armin. Os bósnios são o trapo e os sérvios aqueles a quem se deve engraxar o sapato. Os croatas oscilam entre o centrismo da submissão aos últimos e o compartilhamento da opressão aos primeiros.

Aí vem o filmes austríaco... Nova metáfora que a burguesia utiliza bem... o nacionalismo vingativo e maniqueísta, explorador. O mesmo que há no Brasil contra bolivianos e paraguaios, há na Áustria contra ucranianos, russos e iugoslavos. Também podemos citar os estadunidenses humilhando os mexicanos em Nação Fast food. Os paralelos são perfeitos. É lógico que por mais que os diretores estadunidenses se esforcem, sempre escorregam... na superficialidade, o que não ocorre em Import, Export. Momentos tensos de preconceito, humilhação, tristeza, hipocrisia e pervesão. O retrato do mundo pelo menos parece real... ele está fétido. Mas sempre poderemos transformá-lo e arte ainda será um dos caminhos.















domingo, outubro 21, 2007

Ateus, uni-vos em nome da vida terrestre, a única que existe







Michel Onfray voltou. Pela mesma editora Martins Fontes. Voltou, como sempre, levantando polêmica. Agora, em torno de um debate que também sempre volta à tona: a religião como capacidade de salvar a Humanidade.
Logo no início, Onfray é categórico:
" Em nenhum lugar desprezei aquele que acreditava nos espírtios, na alma imortal, no sopro does deuses, na presença dos anjos, nos efeitos da prece, na eficácia do ritual, na legitimidade das encantações, no contato com os loas, nos milagres com hemoglobina, nas lágrimas da Virgem, na ressureição de um homem crucificado, nas virtudes dos cauris, nas forças xamânicas, no valor do sacrifício animal, no efeito transcedental do nitro egípcio, nas moinhas de preces. No chacal ontológico. Em nenhum lugar. Mas em toda parte constatei o quanto os homens fabulam para evitar olhar o real de frente. A criação de além-mundos não seria muito grave se seu preço não fosse alto: o esquecimento do real, portanto a condenável negligência do únicomundo que existe. Enquanto a crença indispõe com a imanência, portanto com o eu, o ateísmo reconcilia com a terra, outro nome da vida".
Uma boa leitura pode sossegar uma alma até o próximo confronto com a realidade.
Trecho de entrevista concedida ao repórter da Folha, Alcino Leite Neto:
"Folha - Com o projeto da Universidade Popular, o sr. não tem receio de ser chamado de populista?
Onfray - Não, pois popular é o contrário de populista. Ter preocupação com o povo nos dispensa de praticar a demagogia. Hoje, o povo —as pessoas modestas— fica em geral esquecido, e é a extrema direita que acaba se ocupando dele. Eu acho que a esquerda precisaria reencontrar o sentido do grande número. A chegada do [líder de extrema direita] Jean-Marie Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais na França é como o caso Dreyfus [processo judicial que marcou a França do séc. 19 por seu anti-semitismo]. É preciso deixar de ficar em seu canto, ralhando contra as pessoas que votaram em Le Pen e reprovando-as pela má escolha. Se temos vontade de esclarecer as pessoas, temos de ir à luta. Eu me sinto mais útil fazendo esse trabalho na Universidade Popular do que num liceu".

segunda-feira, outubro 08, 2007

Um dia, no verão está amarrado do começo ao fim


Não são os atores nem tampouco as atrizes. O caso é que a peça Um dia, no Verão não engrena nem por decreto. É provável que seja o texto... pré-existencialista numa era pós-tudo. Embora o indíviduo seja a base do existencialismo parece não haver espaço para este tipo de aprisionamento em que o personagem de Silvia Buarque e Renata Sorrah se revezam. É uma dor incompleta, que não se deixa extravasar, mas não sei se pelo texto. Pode ser a direção. Talvez mais habituada ao cinema, Monique Gardenberg não tenha se afinado com o palco.
Os aplausos existiram ao final do espetáculo porque a crítica destruiu todos a exceção de Sorrah. Vários artigos debocharam da atuação de Silvia Buarque e de Gabriel Braga Nunes. Mas, repito, não são eles. Então, os aplausos, principalmente para quem pode ver o olhar de Silvia, pareceram de alívio, de compreensão.
No palco, tudo é sempre mais difícil.